quarta-feira, janeiro 09, 2019

Unison

Título: Unison (Unison Spark)
Autor: Andy Marino
Editora: Jangada (Pensamento-Cultrix)
Páginas: 265 (267 Agradecimentos)
ISBN: 9788564850156


Tradução: Humberto Moura Neto / Martha Argel


O livro conta a história futurista de uma "rede social" chamada Unison na qual os usuários se projetavam dentro dela. Eles podiam viver como se estivessem literalmente dentro do programa da rede.
Por "fora" havia a Cidade Litorânea do Leste, que aparentemente era New York, e a Pequena Saigon, que era uma espécie de sub cidade que funcionava dentro de uma bolha no subsolo da cidade grande. Na Pequena Saigon vivia Anna, com Jiri e a tia Dita. Anna, por alguma razão decide mudar seu nome para Mistletoe. No alto, por assim dizer, na Cidade Litorânea do Leste morava Ambrose Truax, que estava sendo preparado pelo pai, dono da UniCorp, que administrava o Unison, para ser um tipo de administrador geral. No dia em que isso vai acontecer, Ambrose foge e desce para a Pequena Saigon. Lá ele quase morre, mas é salvo por Anna (Mistletoe) e assim eles vão descobrindo segredos por trás da rede. Ambos estavam com 15 anos, e tinham uma relação especial que se vai descobrindo ao ler o livro.
Embora seja muito interessante, também achei um tanto quanto confuso. São palavras novas, situações e cenários difíceis de serem descritas por palavras. Talvez ficasse bem em um filme, mas o texto é um pouco complicado. Ainda assim dá para acompanhar a história, mas não achei tão simples assim. Nota 6.0

terça-feira, janeiro 08, 2019

>>> Melhor livro de 2018

O título vai para:

"18 de Escorpião" de Alexey Dodsworth

Apesar do nome estrangeiro do autor, o livro é brasileiro e realmente foi muito bom. Como sempre há alguns fatores que influenciam a escolha, que não necessariamente tenha a ver com a qualidade do livro. Nesse caso, como sempre gostei de astronomia, isso deve ter influenciado, mas devo dizer que "Yakuza Moon: Memórias da filha de um gângster" de Shoko Tendo, também foi muito bom, ainda mais por contar uma história real.  Também destaco no ano de 2018, "Os Dentes do Diabo", da "ondóloga" (hahahaha) Susan Casey, o "Infiltrado" de Robert K. Wittman com John Shiffman e "O Rei da Vodka" de Linda Himelstein como muito bons. Curiosamente, de todos esses livros citados nesse pequeno Post, o único que é pura ficção é "18 de Escorpião".

segunda-feira, dezembro 17, 2018

Purgatório Americano

Título: Purgatório Americano (American Purgatorio)
Autor: John Haskell
Editora: Rocco
Páginas: 239
ISBN: 9788532524355

Tradução: Daniel Frazão

O livro se inicia com Jack entrando em uma loja de conveniências de um posto para comprar alguma coisa para beber ou comer, e quando sai não encontra Anne, sua esposa, e seu carro. Fica a tarde toda os procurando, mas não os encontra. Então vai para casa e começa uma grande procura por Anne. Eles moravam em New York e o ponto de partida é um mapa que ele encontra entre as coisas particulares da esposa. Enquanto pensava no que fazer um amigo antigo telefona para ele e o convence a comprar um carro usado. Um Pulsar da Nissan. Com esse carro ele parte em uma jornada para encontrar a esposa. Passa por Lexington, Boulder entre outras cidades, e acaba chegando à California. No caminho ele conhece algumas pessoas que o ajudam, e ele ajuda outras dando carona, por exemplo. No final ele acaba se interessando por Linda uma das mulheres que ele conheceu na viagem. Linda, entretanto, esta namorando Geoffrey, e portanto não está disponível, mas eles permanecem juntos, o três por um tempo. O livro caminha nessa direção até um final um pouco complicado de entender. pelo menos para mim.
O livro é dividido em sete capítulos e diversos subcapítulos. É fácil de ler por ter esses subcapítulos curtos, mas é um pouco fantasioso, ou talvez poético demais. Não sei. Não é tão bom assim de ler, e às vezes escorrega para um lado um pouco sobrenatural. Ele divaga muito, e obviamente se desnuda para o leitor com o intuito de mostrar seus sentimentos muitas vezes deprimidos, o que é natural diante do desaparecimento da esposa. Mas o livro não é natural como uma história real, embora tenha em grande parte uma linguagem referencial, por assim dizer, "normal". Ainda que a leitura seja fluente, não achei muito agradável. Nota 5.0

quinta-feira, dezembro 13, 2018

Celebutantes

Título: Celebutantes (Celebutantes)
Autor: Amanda Goldberg e Ruthanna Khalighi Hopper
Editora: Rocco
Páginas: 373 (374-375 Agradecimentos)
ISBN: 9788532523013

Tradução: Pinheiro de Lemos

Lola Santini é uma garota de Hollywood que vive se apaixonando por atores. O pai dela está para concorrer a um Oscar de melhor diretor e a história se situa na semana anterior à premiação. Ela se separou recentemente de SMITH, um ator que a abandonou depois dela participar de um filme do pai dela em que foi muito criticada. Ela entende que não é boa atriz e tem um amigo, Julian, que é costureiro e seu melhor amigo gay. Ele mora em Nova York e tem pavor de avião. Então pede a ela para ser sua "embaixadora" em Hollywood e tentar usar sua influência para que alguma atriz famosa vá à festa do Oscar usando um vestido dele. Isso consome muito de Lola, e quase tudo dá errado para ela, inclusive suas tentativas de não se envolver com atores.
O livro é dividido em capítulos, no qual, em geral são intitulados com os dias da semana que antecede ao Oscar. Domingo, Segunda, etc.
É um livro interessante de ler que pretensamente mostra como é a vida de celebridades em Hollywood. Lola não é propriamente uma celebridade, mas conhece muitas, inclusive seu pai. As autoras abusam da citação de marcas e de nomes de atores e atrizes famosos. A verdade é que a maioria eu não conheço, e fica difícil saber se são personagens fictícios ou pessoas de verdade. Acaba gerando um pouco de confusão, mas se você abstrair isso, o livro é bem divertido de ler, ao estilo Marian Keyes, mas menos engraçado. A vida em Hollywood pode ser bem dura. E o estereótipo das celebridades, embora certamente exagerado, mostra suas excentricidades e um comportamento muito egoísta de alguns deles. Nota 6.0

sexta-feira, novembro 30, 2018

Deixa o Alfredo Falar

Título: Deixa o Alfredo Falar
Autor: Fernando Sabino
Editora: Record
Páginas: 213 (215 Índice)

Esse é um livro de crônicas, que na verdade é uma coletânea de textos publicados em jornais e revistas, acredito eu, na sua maioria, senão todas, escritas na década de 70 do século passado. O título do livro, "Deixa o Alfredo Falar" é o título de uma das crônicas que conta o caso do Alfredo tentando falar alguma coisa sobre futebol com Dagoberto e sendo "interrompido" por ele o tempo todo. Eles estavam em um apartamento, até que algum vizinho abre uma janela próxima e grita "Dagoberto, deixa o Alfredo falar!". São crônicas com viés de humor, e na maioria delas, Fernando Sabino as escreve como ele mesmo. Embora seja mineiro, ele morava no Rio de Janeiro, que é "palco" da maioria dessas historinhas. Elas são quase todas curtas, mas tem algumas exceções com mais páginas.
É um livro que se lê rápido e é gostoso de ler, mas é de uma literatura bem simples. Pode ser interessante entender nas entrelinhas, como era a vida naquela época. É o tipo do livro que eu considero como passatempo, que pode ser muito bom para ler antes de dormir ou em um lugar de espera como sala de embarque, consultório de dentista ou médico, na fila do banco ou mesmo durante uma viagem. Para isso ele é excelente. Nota 6.0

terça-feira, novembro 27, 2018

Café-da-manhã com Tiffany

Título: Café-da-manhã com Tiffany (Breakfast with Tiffany, An uncle´s memoir)
Autor: Edwin John Wintle
Editora: Rocco
Páginas: 355 (Agradecimentos 357-358)
ISBN: 97885325213300

Tradução: Márcia Prudêncio

Esse á história real contada por Edwin Wintle, o tio Eddy, que mora em Nova York e é gay. A família dele é de New Milford, Connecticut. Tiffany, sua sobrinha de treze anos está em uma fase difícil com um comportamento inadequado, talvez devido a más companhias, e está deixando a sua mãe, Megan, irmã de Edwin, muito estressada. Edwin havia convidado Tiffany a morar com ele em Nova York, mas ele mesmo não acreditava nessa possibilidade, porém um dia Megan liga para ele desesperada e aceita a oferta. O livro basicamente conta a história dos meses iniciais que tio e sobrinha moraram juntos na Big Apple. A convivência e os inevitáveis confrontos, com brigas até certo ponto sérias, sobretudo, claro, devido principalmente ao controle que tio Eddy precisa impor à Tiffany com intuito de preservá-la em maior segurança possível, são narrados com detalhes no texto do livro. É interessante que ela, com 13 anos usava maconha e álcool,  isso não era visto como uma transgressão tão séria assim. É uma cultura diferente. Além disso, como parece que são os jovens americanos, os amigos são a "coisa" mais importante para eles, aparentemente até mais do que a família.
O livro acaba, mas história continua. Talvez um dia Edwin escreva uma continuação, o que seria uma boa ideia.
O livro é dividido em três partes: Outono, Inverno e Primavera, e em cada parte há alguns subcapítulos com títulos inerentes a passagem. É um livro cronológico, embora em alguns momentos o autor relembre passagens anteriores da vida da família, mas são casos pontuais.
É bom de ler. Inicialmente achei que era uma história estranha e sem sentido para ser colocada em um livro. É um pensamento errado, qualquer história pode ser boa se bem contada, e acho que Edwin fez isso muito bem. Apesar de ser uma história real, o autor coloca uma nota no início do livro avisando: "Os nomes e outras características distintas das pessoas incluídas nessas memórias foram alterados.". Acredito que isso não tenha influência na essência da história. Realmente vale a pena ler. Nota 6.5

quarta-feira, novembro 21, 2018

A Década Roubada



Título: A Década Roubada (La decada robada)
Autor: Jorge Lanata
Editora: Planeta
Páginas: 335
ISBN: 9788542204445


Tradução: Adriana Marcolini, Eduardo Szklarz e Simone Biehler Mateos


Jorge Lanata é um importante jornalista e escritor argentino que descreve nesse livro a ascensão ao poder dos Kirchner, Néstor e Cristina, sua esposa. Oriundos do sul do país, eles chegam a presidencia com aquele populismo de esquerda no qual muita gente ainda acredita. É impressionante como há corrupção, mandos e desmandos dos pinguins (assim eram chamados) e de seus aliados. Quando eles julgavam necessário simplesmente removiam as pessoas dos postos e colocavam aliados para que se perpetuassem no poder. Realmente esse tipo de coisa acontece na América Latina como o caso da Venezuela e era um perigoso caminho que o Brasil vinha trilhando com o PT. Em todos os campos houve corrupção, e a população, principalmente os mais pobres, sofreram, e certamente ainda sofrem muito com o descaso dessas duas figuras que ocuparam a presidência de um páis tão importante como a Argentina.
Não é um livro muito gostoso de ler. Além da tristeza pelo povo Argentino, no que tange a leitura, Jorge Lanata cita muitos números, e em alguns casos até gráficos. Ele reproduz algumas entrevistas e artigos que saíram em alguns periódicos. Os Kirchners perseguiram de forma covarde, principalmente o "Clarin" e o "La Nacion", grandes jornais argentinos. Ainda que a leitura nem sempre seja agradável, a prosa não é ruim, e é claro, importante para quem queira entnder o que foi o "Kirchnerismo" na Argntina. Nota 4.5

segunda-feira, novembro 12, 2018

O Rei da Vodca


Título: O Rei da Vodca (The King of Vodka)
Autor: Linda Himelstein
Editora: Zahar
Páginas: 319 (321-340 Notas, 341-343 Bibliografia selecionada, 344-345 Agradecimentos, 346-353 Índice remissivo)
ISBN:9788537803189

Tradução: Ana Beatriz Duarte

"O Rei da Vodca" conta a história de Piotr Arsênievich Smirnov e sua família. Ele foi um servo da Rússia czarista, que no século XIX, percebeu uma possibilidade de ganhar dinheiro fabricando vodca, uma bebida que os russos consumiam muito. Ele acabou por criar uma indústria milionária, que foi praticamente extinta com o monopólio estatal de 1901 e  depois com a revolução bolchevique. Seus herdeiros esbanjaram muito dinheiro e quando o pai morreu, tentaram manter a empresa funcionando, todavia se desentenderam e acabaram por se separar, mas houve um que foi para Paris e conseguiu manter viva a chama da companhia que o pai construiu. O livro tem, obviamente, como pano de fundo a história da Rússia do século XIX ao século XX, mostrando toda a mudança de costumes que caracterizaram o país nessa época.
É quase um livro didático de história, e ajuda muito a compreender o que fez a Rússia se transformar na União Soviética e as marcas profundas que essa mudança causou ao povo daquele país.
É realmente muito instrutivo e o achei imparcial politicamente.
É dividido em duas partes e um epílogo, com sumário e as notas chatas que ficam no final do livro, mas isso é contornável, pois são praticamente só referências de onde a informação foi obtida. Não há necessidade de ler.
Embora o livro seja sobre a história de uma das maiores indústrias de bebida do mundo, também fala sobre o mal que o alcoolismo provoca na sociedade, inclusive essa preocupação sempre esteve presente nos diversos governos russos, que não foi mais combatido por causa do lucro que a venda da bebida retornava ao estado. Inclusive, a perestroika (reestruturação) que Gorbachev introduziu na União Soviética nos anos 80 do século XX, tinha como alvo inicial, não a economia, mas sim o alcoolismo. É um livro bom de ler, com uma pesquisa minuciosa sobre todos os fatos narrados, inclusive com a preocupação da autora de dizer sempre quando uma coisa era confirmada ou era apenas uma suposição. Obviamente é narrado a época em que a marca acaba por ter seu nome mudado para Smirnoff.
Para quem gosta de história, da Rússia, ou de vodca, vale a pena ler. Nota 7.0

quinta-feira, novembro 01, 2018

Infiltrado


Título: Infiltrado: a história real de um agente do FBI à caça de obras de arte roubadas (Priceless (How I Went Undercover to Rescue the World´s Stolen Treasures)
Autor: Robert K. Wittman com John Shiffman
Editora: Zahar
Páginas: 313 (315 Nota do autor, 317-319 Agradecimentos)
ISBN: 9788537806913

Tradução: Alexandre Martins

O livro conta a história de Robert Kittman (Bob), um agente do FBI que fundou a "Equipe de Crimes contra a Arte" do departamento. Ele conta alguns casos que resolveu recuperando obras de artes e antiguidades e as devolvendo para o museu. Nesse tipo de crime o objetivo principal é sempre a recuperação dos objetos, antes mesmo da prisão dos responsáveis. Segundo o autor, o FBI valorizava mais a investigação de outros tipos de crime como assaltos a banco, assassinatos, e terrorismo. Entretanto ele argumenta que o roubo a obras de artes é um crime gravíssimo que usurpa a cultura e a história de um povo. Ele conta casos nacionais e internacionais, inclusive um no Rio de Janeiro.
O livro é dividido em quatro partes: "Alla Prima", "Histórico", "Corpo da Obra" e "Operação Obra-Prima", e cada parte tem seus subcapítulos.
O texto é muito bem escrito, e a leitura muito agradável. O leitor aprende um pouco sobre artes e entende como é importante o resgate desses objetos para a história de um país. O livro adquire às vezes a característica de um romance policial, com suspense e reviravoltas dignas de ficção, apesar de ser baseado em fatos reais. Realmente o autor foi muito bem na prosa, e um assunto - arte - que não está entre os meus favoritos, se tornou bem interessante para mim. É inacreditável o valor que alguns quadros de grands pintores chega a custar. Além da história dos roubos, compreendemos como burocracia e  vaidades podem comprometer um caso policial. Nota 7.5

terça-feira, outubro 23, 2018

O Curioso Livros do Geeks

Título: O Curioso Livros do Geeks (Geek Dad. Awesomely  geeky projects and activities for dads and kids to share.
Autor: Ken Denmead
Editora: Texto Editores (Leya)
Páginas: 257
ISBN: 9788580440256

Tradução: Armando Orlando

O título traduzido não explica bem o que é o livro. É preciso entender o título em inglês que seria mais ou menos assim: "Pai Geek, fantásticos projetos e atividades geeks para pais e crianças compartilharem". É exatamente disso que trata o livro, são vários projetos explicados passo a passo para pais que gostam de ciências e tecnologia (geeks) executarem com seus filhos. Os capítulos são "Faça seus próprios jogos e trabalhos manuais", "Atividades geek para o grande mundo lá fora", "Acessórios fantásticos", "Crianças geeks salvam o meio ambiente", "Construa/aprenda/geek", "Pot-pourri geek". Além de um posfácio e três apêndices. Em cada capítulo há um número de projetos a serem executados. O autor se preocupa em dar níveis de preços, dificuldades, duração, etc. E em muitos casos ele indica sites, mas a maioria é nos Estados Unidos, por ele morar nas imediações de San Francisco, Califórnia.
Achei o livro muito apropriado para quem está na situação descrita, ou seja, é um geek e é pais de crianças. Há sempre ilustrações em desenho de como fica o projeto pronto. É possível encontrar mais ideias e explicações no site do livro - www.geekdadbook.com - em inglês.
Não é um livro ruim de ler, e os capítulos são curtos, o que facilita a leitura, mas obviamente não é um texto muito brilhante, e se o leitor não estiver na condição do público alvo, talvez aproveite pouca coisa do livro, embora haja projetos que são interessantes para todas as idades. Nota 5.0

sábado, outubro 13, 2018

A Sorte Segue a Coragem

Título: A Sorte Segue a Coragem
Autor: Mario Sergio Cortella
Editora: Planeta
Páginas 189
ISBN: 9788542212341

O livro de Mario Sergio Cortella é um livro de auto-ajuda em que ele explica muitas coisas da vida. A sorte segue a coragem de fazer as coisas certas. Basicamente o leitor deve entender que sorte não é uma coisa que aparece do nada. É preciso, de certa forma, cultivá-la. É claro que a loteria esportiva, ou loteca, pode ser sorteada para qualquer um que jogar, mas quem estuda os times e os campeonatos e planifica o modo como vai apostar, vai melhorar e muito a sua "sorte". Essa é uma metáfora que o autor não usa no livro, mas acho que exemplifica bem o que ele quer passar. Nesse caso, a "coragem" de estudar, ler e saber sobre a situação dos clubes seguirá a sorte de ganhar. Talvez o título ficasse melhor se fosse, "A sorte é seguida pela coragem".
Ele diferencia audácia de aventura ou impulsividade. São coisas diferentes. Você deve ter coragem, mas tem que se preparar para isso, senão a probabilidade de ser mal sucedido será maior. É claro que no livro encontramos muitos bons conselhos vindo da experiência do autor, mas basicamente, pelo menos baseado no título, a mensagem é essa de se preparar para ousar.
É um livro fácil e rápido de ser lido. Os capítulos são curtos e a fluência é boa. Os conselhos são bons, mas claro, não é uma receita precisa para que sua vida mude da água para o vinho. É preciso absorver as ideias e colocá-las em prática, e isso é mais difícil do que parece. Mas independente do "bem" que o livro possa proporcionar, é bom de ler. Nota 7.0

terça-feira, outubro 09, 2018

Os Dentes do Diabo

Título: Os Dentes do Diabo: Uma história de obsessão e sobrevivência entre os grandes tubarões-brancos (The Devil's Teeth: a true story of obsession and survival among America's great white sharks)
Autor: Susan Casey
Editora: Zahar
Páginas: 305 (307-310 Bibliografia selecionada, 311-314 Nota da autora)
ISBN: 9788537807248

Tradução: Diego Alfaro

Susan Casey, autora de "A Onda" e "Mavericks A onda sinistra" embarca, literalmente, em uma pesquisa sobre tubarões brancos. O livro é praticamente todo um histórico das Ilhas Farallon, a 43 km da Golden Gate em San Francisco, California. É que lá há ocorrência de tubarões brancos, e na "temporada" dos tubarões, muitos ataques a focas, leões-marinhos e elefantes-marinhos. Peter e Scot, entre outros, estudam o comportamento desses peixes, e Susan vai lá participar para aprender. Ela fica fascinada pelos tubarões e pela Ilha. Acontece que o local é uma reserva ambiental severamente controlada pelo governo americano, e as licenças de visitas são difíceis de conseguir. O foco da pesquisa nas ilhas não são os tubarões, e sim os pássaros, e o Serviço de Peixes e Animais Selvagens dos Estados Unidos não apoiavam com muito entusiasmo a pesquisa dos tubarões, de forma que Susan arruma um barco, o Just Imagine que passa a ser teoricamente o Centro do Projeto Tubarões. Como o barco não ficava na Ilha, ela podia ficar o tempo que quisesse por ali, desde que não pisasse na Ilha, coisa que obviamente ela acaba fazendo. O livro basicamente conta essa história até a época em ela vai para o barco e a sua volta ao continente.
O texto, assim como os outros livros da autora, que eu li, é muito bom e gostoso de ler. Susan tem um senso de humor na escrita que achei muito engraçado, como quando ela está falando sobre filhotes de pássaros na pg 128 "Em agosto, muitos filhotes já haviam se emplumado; os que ainda não o tinham feito já estavam pensando no assunto"; ou sobre venenos na pg 139 "Dado que envenenar pessoas era um passatempo bastante popular na época"; e mais, quando fala sobre a inteligência dos tubarões na pg 144 " Tudo bem, os tubarões não ficam resolvendo equações quadráticas ali na água...". Em meio a experiência dela, Susan vai contando a história de alguns pesquisadores que ficaram amigos dela, e do próprio arquipélago.
O título nos faz imaginar que seja um livro sobre tubarões, e até é, mas o principal é mesmo sobre as ilhas Farallon, e vale a pena ler. Nota 7.5

sábado, setembro 29, 2018

Um Lugar Para Todos


Título: Um Lugar Para Todos (Bombay Time)
Autor: Thrity Umrigar
Editora: Nova Fronteira
Páginas: 298
ISBN: 9788520921920

Tradução: Regina Lyra

O romance trata da vida das pessoas que moravam no edifício Wadia, na rua Bomanji em Bombaim (que hoje se chama Mumbai) na Índia. Os personagens estão participando de um casamento do filho de um dos moradores, o Jimmy Kanga. Durante a cerimônia, a autora vai contando a vida de cada um, de modo que de certa forma não há um protagonista. Em cada capítulo ela conta as histórias de Rusi Bilimoria e sua esposa Coomi, de Dosamai, de Soli Contractor, de Themi e Cyrus entre outros. O casamento é uma festa de sucesso, mas cada um tem seus problemas particulares. No final da festa, Jimmy promete uma surpresa para alguns convidados especiais, e no finalzinho mesmo acontece um contratempo, mas isso fica para quem for ler o livro.
No início achei que o livro estava um pouco confuso, até porque há muitos personagens, mas continuando a ler ele vai se tornando cada vez mais interessante, e realmente fica muito bom com o passar das páginas.
Há muitas palavras ou expressões estrangeiras, e nem sempre são explicadas. Em alguns casos é fácil deduzir, mas em outros fiquei sem saber o que era. Isso não estraga o livro, mas de algum forma o deixa um pouco incompleto, talvez fosse melhor colocar um glossário no final (ou no início) para explicar as palavras estrangeiras (seria parse, não sei). Mas ainda assim é muito gostoso de ler, e às vezes é até profundo. É preciso entrar no clima dos personagens, mas isso é fácil com a deliciosa prosa da Thrity Umrigar. Nota 7.5

sexta-feira, setembro 21, 2018

A Ilha da Desolação



Título: A Ilha da Desolação (Desolation Island)
Autor: Patrick O´Brian
Editora: Record
Páginas: 383 (385-411 - O Universo naval de Jack Aubrey)
ISBN: 9788501080783


Tradução: Sônia Coutinho


Jack Aubrey, ao lado de seu amigo Stephen Maturin fazem uma viagem da Inglaterra para os mares do sul. Ele almeja passar pela cidade do Cabo levando alguns prisioneiros, mas há uma calmaria no meio da viagem além de uma epidemia que o fazem parar em Recife, no Brasil, onde deixam os doentes mais graves. Eles estavam levando alguns prisioneiros e entre eles uma espiã. Estão a bordo do Leopard, um navio de guerra, e no caminho eles cruzam com o holandês Waakzaamheid. Entre eles há uma batalha, onde o Leopard, inferiorizado pelo tamanho e número de tripulantes, tenta fugir. Mais tarde o Leopard tem problemas sérios quando colide com um iceberg e perde o leme, além de ter uma fissura que faz entrar muita água no barco. Muitos homens abandonam o navio. O Leopard mal tem condições de navegabilidade. O Capitão e alguns seguidores permanecem no barco e acabam conseguindo sobreviver, mais para o final vão parar na Ilha da Desolação, que dá título ao livro, onde, por acaso recebem um navio baleeiro americano do qual usam uma forja para consertar o leme avariado pelo choque com o Iceberg.
É um livro longo e até certa parte bem tedioso de ler. Achei que a viagem demorou muitas páginas para começar, e quando começou o autor abusou de termos náuticos difíceis de um leigo entender. O autor quis retratar o que era a marinha de guerra no século dezenove. Mais para o final o livro fica melhor de ler, mas ainda assim é bem longo. É o tipo do livro indicado para quem quer entender ou estudar como era a marinha inglesa na época dos navios à vela. Parece bem real e até instrutivo, mas eu achei chato de ler. É preciso gostar do assunto. Nota 4.0

sexta-feira, agosto 10, 2018

Dezoito de Escorpião

Título: Dezoito de Escorpião
Autor: Alexey Dodsworth
Editora: Novo Século
Páginas: 344 (Carta ao leitor nerd de 345 a 350)


Arthur Coimbra era uma pessoa reservada que sofria de HEM (hipersensibilidade eletromagnética). Ele nasceu na Bahia mas vai estudar História em São Paulo. Entretanto passa quase o tempo todo no campus da USP, pois a cidade é muito poluída com ondas eletromagnéticas. Ele tem uma namorada argentina chamada Julia Rivera, estudante de astronomia, que o ensinou a ver as constelações do céu. Paralelo a isso há as histórias da gaúcha Laura Boccardo, uma adolescente órfã que mora com um tio que abusa dela; e Martin, um jovem negro de São Paulo que também sofre muito com Bulling. Todos eles eram HEM-positivos.
O doutor Ravi Chandrasekhar sabe o que acontece com eles, os contata e os leva para uma colônia chamada Vila Muhipu onde eles podia ter uma vida mais saudável, embora precisassem obedecer certas regras.
O doutor Ravi Chandrasekhar se preocupa também com o interesse dos astrônomos com a estrela HR 6060 a décima oitava da constelação de Escorpião, que aparentemente é uma gêmea do Sol. O livro se desenvolve a partir desses casos inicialmente dispersos, mas que vão se convergir para a mesma história no decorrer da narrativa.
O livro é repleto de informações científicas reais, mesclado, é claro, com pura ficção. É gostoso e rápido de ler e há muitos fatos interessantes contados na história. Em geral gosto muito de ficções em que o autor explica fatos científicos reais, mas é claro que isso pode confundir com os que são mera ficção. Ainda assim se aprende muito. Alexey não se furta a colocar nomes de empresas como a Google ou Amazon quando necessário, e isso dá um sabor mais realista a sua história. No final há uma "Carta ao leitor nerd" que na verdade é para todo mundo, em que ele justifica certos exageros e até ficção total no seu livro. Nem precisava, mas é interessante.
É realmente muito bom. Nota 8.0