segunda-feira, novembro 12, 2018

O Rei da Vodca


Título: O Rei da Vodca (The King of Vodka)
Autor: Linda Himelstein
Editora: Zahar
Páginas: 319 (321-340 Notas, 341-343 Bibliografia selecionada, 344-345 Agradecimentos, 346-353 Índice remissivo)
ISBN:9788537803189

Tradução: Ana Beatriz Duarte

"O Rei da Vodca" conta a história de Piotr Arsênievich Smirnov e sua família. Ele foi um servo da Rússia czarista, que no século XIX, percebeu uma possibilidade de ganhar dinheiro fabricando vodca, uma bebida que os russos consumiam muito. Ele acabou por criar uma indústria milionária, que foi praticamente extinta com o monopólio estatal de 1901 e  depois com a revolução bolchevique. Seus herdeiros esbanjaram muito dinheiro e quando o pai morreu, tentaram manter a empresa funcionando, todavia se desentenderam e acabaram por se separar, mas houve um que foi para Paris e conseguiu manter viva a chama da companhia que o pai construiu. O livro tem, obviamente, como pano de fundo a história da Rússia do século XIX ao século XX, mostrando toda a mudança de costumes que caracterizaram o país nessa época.
É quase um livro didático de história, e ajuda muito a compreender o que fez a Rússia se transformar na União Soviética e as marcas profundas que essa mudança causou ao povo daquele país.
É realmente muito instrutivo e o achei imparcial politicamente.
É dividido em duas partes e um epílogo, com sumário e as notas chatas que ficam no final do livro, mas isso é contornável, pois são praticamente só referências de onde a informação foi obtida. Não há necessidade de ler.
Embora o livro seja sobre a história de uma das maiores indústrias de bebida do mundo, também fala sobre o mal que o alcoolismo provoca na sociedade, inclusive essa preocupação sempre esteve presente nos diversos governos russos, que não foi mais combatido por causa do lucro que a venda da bebida retornava ao estado. Inclusive, a perestroika (reestruturação) que Gorbachev introduziu na União Soviética nos anos 80 do século XX, tinha como alvo inicial, não a economia, mas sim o alcoolismo. É um livro bom de ler, com uma pesquisa minuciosa sobre todos os fatos narrados, inclusive com a preocupação da autora de dizer sempre quando uma coisa era confirmada ou era apenas uma suposição. Obviamente é narrado a época em que a marca acaba por ter seu nome mudado para Smirnoff.
Para quem gosta de história, da Rússia, ou de vodca, vale a pena ler. Nota 7.0

quinta-feira, novembro 01, 2018

Infiltrado


Título: Infiltrado: a história real de um agente do FBI à caça de obras de arte roubadas (Priceless (How I Went Undercover to Rescue the World´s Stolen Treasures)
Autor: Robert K. Wittman com John Shiffman
Editora: Zahar
Páginas: 313 (315 Nota do autor, 317-319 Agradecimentos)
ISBN: 9788537806913

Tradução: Alexandre Martins

O livro conta a história de Robert Kittman (Bob), um agente do FBI que fundou a "Equipe de Crimes contra a Arte" do departamento. Ele conta alguns casos que resolveu recuperando obras de artes e antiguidades e as devolvendo para o museu. Nesse tipo de crime o objetivo principal é sempre a recuperação dos objetos, antes mesmo da prisão dos responsáveis. Segundo o autor, o FBI valorizava mais a investigação de outros tipos de crime como assaltos a banco, assassinatos, e terrorismo. Entretanto ele argumenta que o roubo a obras de artes é um crime gravíssimo que usurpa a cultura e a história de um povo. Ele conta casos nacionais e internacionais, inclusive um no Rio de Janeiro.
O livro é dividido em quatro partes: "Alla Prima", "Histórico", "Corpo da Obra" e "Operação Obra-Prima", e cada parte tem seus subcapítulos.
O texto é muito bem escrito, e a leitura muito agradável. O leitor aprende um pouco sobre artes e entende como é importante o resgate desses objetos para a história de um país. O livro adquire às vezes a característica de um romance policial, com suspense e reviravoltas dignas de ficção, apesar de ser baseado em fatos reais. Realmente o autor foi muito bem na prosa, e um assunto - arte - que não está entre os meus favoritos, se tornou bem interessante para mim. É inacreditável o valor que alguns quadros de grands pintores chega a custar. Além da história dos roubos, compreendemos como burocracia e  vaidades podem comprometer um caso policial. Nota 7.5

terça-feira, outubro 23, 2018

O Curioso Livros do Geeks

Título: O Curioso Livros do Geeks (Geek Dad. Awesomely  geeky projects and activities for dads and kids to share.
Autor: Ken Denmead
Editora: Texto Editores (Leya)
Páginas: 257
ISBN: 9788580440256

Tradução: Armando Orlando

O título traduzido não explica bem o que é o livro. É preciso entender o título em inglês que seria mais ou menos assim: "Pai Geek, fantásticos projetos e atividades geeks para pais e crianças compartilharem". É exatamente disso que trata o livro, são vários projetos explicados passo a passo para pais que gostam de ciências e tecnologia (geeks) executarem com seus filhos. Os capítulos são "Faça seus próprios jogos e trabalhos manuais", "Atividades geek para o grande mundo lá fora", "Acessórios fantásticos", "Crianças geeks salvam o meio ambiente", "Construa/aprenda/geek", "Pot-pourri geek". Além de um posfácio e três apêndices. Em cada capítulo há um número de projetos a serem executados. O autor se preocupa em dar níveis de preços, dificuldades, duração, etc. E em muitos casos ele indica sites, mas a maioria é nos Estados Unidos, por ele morar nas imediações de San Francisco, Califórnia.
Achei o livro muito apropriado para quem está na situação descrita, ou seja, é um geek e é pais de crianças. Há sempre ilustrações em desenho de como fica o projeto pronto. É possível encontrar mais ideias e explicações no site do livro - www.geekdadbook.com - em inglês.
Não é um livro ruim de ler, e os capítulos são curtos, o que facilita a leitura, mas obviamente não é um texto muito brilhante, e se o leitor não estiver na condição do público alvo, talvez aproveite pouca coisa do livro, embora haja projetos que são interessantes para todas as idades. Nota 5.0

sábado, outubro 13, 2018

A Sorte Segue a Coragem

Título: A Sorte Segue a Coragem
Autor: Mario Sergio Cortella
Editora: Planeta
Páginas 189
ISBN: 9788542212341

O livro de Mario Sergio Cortella é um livro de auto-ajuda em que ele explica muitas coisas da vida. A sorte segue a coragem de fazer as coisas certas. Basicamente o leitor deve entender que sorte não é uma coisa que aparece do nada. É preciso, de certa forma, cultivá-la. É claro que a loteria esportiva, ou loteca, pode ser sorteada para qualquer um que jogar, mas quem estuda os times e os campeonatos e planifica o modo como vai apostar, vai melhorar e muito a sua "sorte". Essa é uma metáfora que o autor não usa no livro, mas acho que exemplifica bem o que ele quer passar. Nesse caso, a "coragem" de estudar, ler e saber sobre a situação dos clubes seguirá a sorte de ganhar. Talvez o título ficasse melhor se fosse, "A sorte é seguida pela coragem".
Ele diferencia audácia de aventura ou impulsividade. São coisas diferentes. Você deve ter coragem, mas tem que se preparar para isso, senão a probabilidade de ser mal sucedido será maior. É claro que no livro encontramos muitos bons conselhos vindo da experiência do autor, mas basicamente, pelo menos baseado no título, a mensagem é essa de se preparar para ousar.
É um livro fácil e rápido de ser lido. Os capítulos são curtos e a fluência é boa. Os conselhos são bons, mas claro, não é uma receita precisa para que sua vida mude da água para o vinho. É preciso absorver as ideias e colocá-las em prática, e isso é mais difícil do que parece. Mas independente do "bem" que o livro possa proporcionar, é bom de ler. Nota 7.0

terça-feira, outubro 09, 2018

Os Dentes do Diabo

Título: Os Dentes do Diabo: Uma história de obsessão e sobrevivência entre os grandes tubarões-brancos (The Devil's Teeth: a true story of obsession and survival among America's great white sharks)
Autor: Susan Casey
Editora: Zahar
Páginas: 305 (307-310 Bibliografia selecionada, 311-314 Nota da autora)
ISBN: 9788537807248

Tradução: Diego Alfaro

Susan Casey, autora de "A Onda" e "Mavericks A onda sinistra" embarca, literalmente, em uma pesquisa sobre tubarões brancos. O livro é praticamente todo um histórico das Ilhas Farallon, a 43 km da Golden Gate em San Francisco, California. É que lá há ocorrência de tubarões brancos, e na "temporada" dos tubarões, muitos ataques a focas, leões-marinhos e elefantes-marinhos. Peter e Scot, entre outros, estudam o comportamento desses peixes, e Susan vai lá participar para aprender. Ela fica fascinada pelos tubarões e pela Ilha. Acontece que o local é uma reserva ambiental severamente controlada pelo governo americano, e as licenças de visitas são difíceis de conseguir. O foco da pesquisa nas ilhas não são os tubarões, e sim os pássaros, e o Serviço de Peixes e Animais Selvagens dos Estados Unidos não apoiavam com muito entusiasmo a pesquisa dos tubarões, de forma que Susan arruma um barco, o Just Imagine que passa a ser teoricamente o Centro do Projeto Tubarões. Como o barco não ficava na Ilha, ela podia ficar o tempo que quisesse por ali, desde que não pisasse na Ilha, coisa que obviamente ela acaba fazendo. O livro basicamente conta essa história até a época em ela vai para o barco e a sua volta ao continente.
O texto, assim como os outros livros da autora, que eu li, é muito bom e gostoso de ler. Susan tem um senso de humor na escrita que achei muito engraçado, como quando ela está falando sobre filhotes de pássaros na pg 128 "Em agosto, muitos filhotes já haviam se emplumado; os que ainda não o tinham feito já estavam pensando no assunto"; ou sobre venenos na pg 139 "Dado que envenenar pessoas era um passatempo bastante popular na época"; e mais, quando fala sobre a inteligência dos tubarões na pg 144 " Tudo bem, os tubarões não ficam resolvendo equações quadráticas ali na água...". Em meio a experiência dela, Susan vai contando a história de alguns pesquisadores que ficaram amigos dela, e do próprio arquipélago.
O título nos faz imaginar que seja um livro sobre tubarões, e até é, mas o principal é mesmo sobre as ilhas Farallon, e vale a pena ler. Nota 7.5

sábado, setembro 29, 2018

Um Lugar Para Todos


Título: Um Lugar Para Todos (Bombay Time)
Autor: Thrity Umrigar
Editora: Nova Fronteira
Páginas: 298
ISBN: 9788520921920

Tradução: Regina Lyra

O romance trata da vida das pessoas que moravam no edifício Wadia, na rua Bomanji em Bombaim (que hoje se chama Mumbai) na Índia. Os personagens estão participando de um casamento do filho de um dos moradores, o Jimmy Kanga. Durante a cerimônia, a autora vai contando a vida de cada um, de modo que de certa forma não há um protagonista. Em cada capítulo ela conta as histórias de Rusi Bilimoria e sua esposa Coomi, de Dosamai, de Soli Contractor, de Themi e Cyrus entre outros. O casamento é uma festa de sucesso, mas cada um tem seus problemas particulares. No final da festa, Jimmy promete uma surpresa para alguns convidados especiais, e no finalzinho mesmo acontece um contratempo, mas isso fica para quem for ler o livro.
No início achei que o livro estava um pouco confuso, até porque há muitos personagens, mas continuando a ler ele vai se tornando cada vez mais interessante, e realmente fica muito bom com o passar das páginas.
Há muitas palavras ou expressões estrangeiras, e nem sempre são explicadas. Em alguns casos é fácil deduzir, mas em outros fiquei sem saber o que era. Isso não estraga o livro, mas de algum forma o deixa um pouco incompleto, talvez fosse melhor colocar um glossário no final (ou no início) para explicar as palavras estrangeiras (seria parse, não sei). Mas ainda assim é muito gostoso de ler, e às vezes é até profundo. É preciso entrar no clima dos personagens, mas isso é fácil com a deliciosa prosa da Thrity Umrigar. Nota 7.5

sexta-feira, setembro 21, 2018

A Ilha da Desolação



Título: A Ilha da Desolação (Desolation Island)
Autor: Patrick O´Brian
Editora: Record
Páginas: 383 (385-411 - O Universo naval de Jack Aubrey)
ISBN: 9788501080783


Tradução: Sônia Coutinho


Jack Aubrey, ao lado de seu amigo Stephen Maturin fazem uma viagem da Inglaterra para os mares do sul. Ele almeja passar pela cidade do Cabo levando alguns prisioneiros, mas há uma calmaria no meio da viagem além de uma epidemia que o fazem parar em Recife, no Brasil, onde deixam os doentes mais graves. Eles estavam levando alguns prisioneiros e entre eles uma espiã. Estão a bordo do Leopard, um navio de guerra, e no caminho eles cruzam com o holandês Waakzaamheid. Entre eles há uma batalha, onde o Leopard, inferiorizado pelo tamanho e número de tripulantes, tenta fugir. Mais tarde o Leopard tem problemas sérios quando colide com um iceberg e perde o leme, além de ter uma fissura que faz entrar muita água no barco. Muitos homens abandonam o navio. O Leopard mal tem condições de navegabilidade. O Capitão e alguns seguidores permanecem no barco e acabam conseguindo sobreviver, mais para o final vão parar na Ilha da Desolação, que dá título ao livro, onde, por acaso recebem um navio baleeiro americano do qual usam uma forja para consertar o leme avariado pelo choque com o Iceberg.
É um livro longo e até certa parte bem tedioso de ler. Achei que a viagem demorou muitas páginas para começar, e quando começou o autor abusou de termos náuticos difíceis de um leigo entender. O autor quis retratar o que era a marinha de guerra no século dezenove. Mais para o final o livro fica melhor de ler, mas ainda assim é bem longo. É o tipo do livro indicado para quem quer entender ou estudar como era a marinha inglesa na época dos navios à vela. Parece bem real e até instrutivo, mas eu achei chato de ler. É preciso gostar do assunto. Nota 4.0

sexta-feira, agosto 10, 2018

Dezoito de Escorpião

Título: Dezoito de Escorpião
Autor: Alexey Dodsworth
Editora: Novo Século
Páginas: 344 (Carta ao leitor nerd de 345 a 350)


Arthur Coimbra era uma pessoa reservada que sofria de HEM (hipersensibilidade eletromagnética). Ele nasceu na Bahia mas vai estudar História em São Paulo. Entretanto passa quase o tempo todo no campus da USP, pois a cidade é muito poluída com ondas eletromagnéticas. Ele tem uma namorada argentina chamada Julia Rivera, estudante de astronomia, que o ensinou a ver as constelações do céu. Paralelo a isso há as histórias da gaúcha Laura Boccardo, uma adolescente órfã que mora com um tio que abusa dela; e Martin, um jovem negro de São Paulo que também sofre muito com Bulling. Todos eles eram HEM-positivos.
O doutor Ravi Chandrasekhar sabe o que acontece com eles, os contata e os leva para uma colônia chamada Vila Muhipu onde eles podia ter uma vida mais saudável, embora precisassem obedecer certas regras.
O doutor Ravi Chandrasekhar se preocupa também com o interesse dos astrônomos com a estrela HR 6060 a décima oitava da constelação de Escorpião, que aparentemente é uma gêmea do Sol. O livro se desenvolve a partir desses casos inicialmente dispersos, mas que vão se convergir para a mesma história no decorrer da narrativa.
O livro é repleto de informações científicas reais, mesclado, é claro, com pura ficção. É gostoso e rápido de ler e há muitos fatos interessantes contados na história. Em geral gosto muito de ficções em que o autor explica fatos científicos reais, mas é claro que isso pode confundir com os que são mera ficção. Ainda assim se aprende muito. Alexey não se furta a colocar nomes de empresas como a Google ou Amazon quando necessário, e isso dá um sabor mais realista a sua história. No final há uma "Carta ao leitor nerd" que na verdade é para todo mundo, em que ele justifica certos exageros e até ficção total no seu livro. Nem precisava, mas é interessante.
É realmente muito bom. Nota 8.0

sexta-feira, julho 27, 2018

29,99

Título: 29,99 (99 FRANCS)
Autor: Frédéric Beigbeder
Editora: Record
Páginas: 286
ISBN: 8501061271

Tradução: Procópio Abreu

Octave é um publicitário que está, de certa forma, entediado com o seu trabalho. Ele é francês, mora em Paris e ganha muito bem. Tem um bom apartamento, carro de luxo e uma vida muito boa, e na verdade está querendo ser demitido para viver do seguro desemprego. Diz ele que começou a escrever esse livro, justamente para ser demitido. Ele está envolvido com a campanha de uma espécie de iogurte ou queijo chamado Maigrelette do qual está tentando criar uma campanha para o produto. Depois de algumas tentativas eles acabam por decidir fazer um filme sobre uma mulher que vive em uma casa luxuosa que toma o tal queijo e atribui seu pseudo sucesso a isso. Paralelamente a esses fatos, ele rompe com a namorada que está grávida e ela, naturalmente some da vida dele, embora ele ainda esteja preso sentimentalmente a ela. Ele tem uma amante que é garota de programa, de origem árabe, chamada Tamara, que por influência dele será a protagonista do comercial do Maigrelette. Eles vão ao Senegal para uma espécie de congraçamento, e depois para Miami para filmar o tal comercial.
Nos Estados Unidos, depois de muita bebedeira eles acabam cometendo um crime que será crucial para o final do livro, que acontece quando eles ganham um prêmio importante de publicidade em Cannes.
Não é um livro comum, que é às vezes narrado em primeira pessoa, e em outros momentos na terceira pessoa. O livro fala muito de publicidade, sendo que o autor não poupa consumidores e nomes de empresas reais, inclusive, algumas vezes as criticando. Ele conta também muito do que é viver em uma empresa com o contato ora amistoso, ora inamistoso com colegas de trabalho. O livro tem uma veia cômica, mas também educativa. É interessante e fácil e rápido de ler. Isso o faz ser bom, mas tem momentos que ele é um pouco confuso. De qualquer forma é bom de ler, em especial para quem gosta, de alguma maneira da área de propaganda e marketing. Nota 6.5

Obs: Se não me engano comprei esse livro em uma feira de livros em Presidente Prudente (SP) pagando R$ 10,00.

quinta-feira, julho 19, 2018

Soldier


Titulo: Soldier Leal até o fim (Soldier Dog)
Autor: Sam Angus
Editora: Novo Conceito
Páginas: 251 (253, Bibliografia selecionada)
ISBN: 9788581634029

Tradução: Julio de Andrade Filho

Stanley, um garoto de 14 anos, mora em Lancashire, na Inglaterra, na época da primeira guerra mundial. Ele, por descuido, deixa Rocket, a cadela premiada da família, fugir, e ela acaba cruzando com um cachorro desconhecido, que por consequência leva ao nascimento de alguns cãezinhos mestiços. O pai dele não gosta nada da ideia e doa quase toda a ninhada, mas ele fica com Soldier, o único macho nascido.
O pai dele, Da (que nome estranho, né?), some com o cãozinho avisando que vai afogá-lo.
Por causa disso, Stanley, embora muito novo, foge de casa e se alista para lutar na guerra. O objetivo dele era encontrar seu irmão Tom, que estava na França lutando nessa época.
Stanley se torna um adestrador do exército e treina um cão chamado Bones, que na sua única missão, embora bem sucedida, não tem um final feliz. Depois, desiludido, ele acaba por encontrar um outro cachorro chamado Pistol. Daí a trama segue até uma espécie de final feliz.
O livro é muito bom, mas parece um pouco voltado para adolescentes. Ou talvez para quem ame cães.
É fácil de ler e tem o valor de mostrar uma pequena amostra do que foi a primeira guerra mundial, que no caso do livro retrata o início do ano de 1918. Mas o foco principal do livro é o amor e a lealdade dos cães para com seus donos (ou mestres, no caso), e como eles ajudaram os aliados nessa guerra. Vale a pena ler, mas apenas para leitores que gostem de cachorros. Nota 6.0

segunda-feira, julho 09, 2018

As Sete Irmãs

Título: As Sete Irmãs (The Seven Sisters)
Autor: Anthony Sampson
Editora: Círculo do Livro
Páginas: 364

Tradução: Luciana Carli

O livro, escrito em meados da década de 70 do século XX, conta a história das sete empresas que dominaram a distribuição e comercialização do petróleo até então. São elas: Exxon (Esso), Texaco, Socal, Gulf, Mobil, BP (British Petroleum) e Shell. Narra como chegaram ao ponto em que estavam nessa época, e o que ocasionou a criação da OPEP, quando os países produtores de petróleo resolveram se organizar para diminuir o poder que as empresas tinham. Na primeira parte dessa década, a OPEP chegou a fazer um embargo de petróleo, e o preço do barril, que até então era muito barato, encareceu enormemente.
A história é interessante, apesar de ser um pouco antiga, leva a entender como se chegou a crise que se instalou no mundo todo nessa época. Por alguma razão eu demorei muito a terminar esse livro. Não conseguia ler mais do que poucas páginas de cada vez. Não que o livro fosse chato, mas também não empolgava. Acho que ele muito importante para se entender parte da história da distribuição do petróleo, mas só mesmo para quem se interesse pelo assunto. Nota 4,5

sábado, abril 28, 2018

Vitória * O Sonhador

Título: Vitória * O Sonhador (Viktória / Svaermere) tradução do norueguês
Autor: Knut Hamsun
Editora: Boa Leitura Editora S.A.
Páginas: 256

Tradução: Constantino Paleólogo (Vitória)
Maria Delling (O Sonhador)

Knut Hamsun, cujo nome real era Knut Pedersen, nasceu na Noruega e viveu entre 1859 e 1952. Ele é autor dessas duas histórias colocados em um único livro. A primeira, "Vitória" conta a vida de Johannes, filho de um moleiro (que administra um moinho) e é apaixonado por Vitória, de um classe social superior a sua. Aparentemente Vitória também gosta dele, mas por convenções sociais eles não podem ficar juntos. Johannes sofre muito com isso, e a história é sobre o amor irrealizado dos dois. Já "O Sonhador", conta a história do telegrafista Ove Rolandsen, que é noivo de Marie van Loos, governanta da Casa paroquial. Rolandsen gosta de Olga que deve se casar com Frederik Mack, filho de um comerciante local muito poderoso e rico mas que ajuda muito a comunidade. Mack é roubado e fica extremamente preocupado com o que aconteceu com sua comunidade, já que ele a ajudava tanto. Mack oferece uma quantia grande em dinheiro para quem solucionar o caso, inclusive para o ladrão, se ele se apresentar.
São história interessantes, mas penso que ligadas ao país e a época em que foram escritas. Achei a primeira história, inicialmente, um livro para adolescentes, mas depois ficou um pouco mais séria. A segunda história é focada em Rolandsen, que, embora noivo de Marie van Loos, está querendo desmanchar o namoro. Não são ruins de ler, mas também não empolgam. O mais interessante é ver as diferenças e semelhanças entre a cultura do país e do tempo em relação a nossa realidade. Nada anormal, mas é um pouco diferente. Nota 5.0

sábado, abril 14, 2018

Os Funerais de Mamãe Grande

Título: Os Funerais de Mamãe Grande (Los Funerales de la Mamá Grande)
Autor: Gabriel Garcia Márquez
Editora: Sabiá
Páginas: 171

Tradução: Édson Braga

Segundo a "orelha" do livro, esse é o único livro de contos de Gabriel Garcia Marquez. Os contos são: "A Sesta da Terça-Feira", "Um Dia Desses", "Nesta Terra Não Há Ladrões", "A Prodigiosa Tarde de Baltazar", "A Viúva Montiel", "Um Dia Depois do Sábado", "As Rosas Artificiais" e "Os Funerais da Mamãe Grande", que dá nome ao livro. São contos, que embora sejam independentes, há personagens e lugares que se repetem, como os famosos Buendia e Macondo que se não me engano era a cidade ambientada em "Cem Anos de Solidão", a obra do autor mais famosa.
O livro não é grande, assim como a maioria desses contos. Não achei nenhum que merecesse destaque, e em alguns casos foram até maçantes, mas dá para se distrair um pouco. Há algo de fantasioso nos textos, mas sem exageros. Não é nenhuma obra prima, entretanto pode ser um bom ponto de partida para quem deseja conhecer a literatura do famoso autor. Nota 4,5

quarta-feira, abril 11, 2018

Loucos pela Tempestade

Título: Loucos pela Tempestade (Crazy for the storm)
Autor: Norman Ollestad
Editora: Record
Páginas: 303
ISBN: 9788501087720

Tradução: Dinah Azevedo

No dia 19 de fevereiro de 1979, Norma Ollestad estava em um pequeno avião com seu pai, a namorada dele, Sandra, e o piloto, quando o avião colidiu com uma montanha na Califórnia. Ele estava com 11 anos e sobreviveu. Sandra, também, mas não por muito tempo. Ele teve que descer do local do acidente sozinho para procurar ajuda. O livro conta essa história, alternando capítulos com a história da vida de Norman. O pai sempre aventureiro, o obrigava a surfar e a esquiar, mesmo em condições adversas. Ele não gostava muito disso, mas depois da morte do pai ele passou a gostar muito de surf. Norman teve uma infância conturbada com a mãe e Nick o namorado alcóolatra dela. É interessante ler sobre o relacionamento entre Nick e Norman, que era, diria, instável, mas não totalmente ruim.
O livro é interessante de ler, e a Pacific Coast Highway 1, na California é citada em muitas passagens. Ressalto isso porque já dirigi por lá e acho o lugar maravilhoso. Mas voltando ao livro, é autobiográfico, e fácil de ler, com capítulos curtos e uma fluência tranquila. Norman Ollestad é uma pessoa comum, como a maioria de nós, que teve um pai aventureiro e um padrasto, digamos assim, irregular. É mais um daqueles livros que considero um passatempo, embora seja um pouco mais profundo do que isso. No epílogo ele, já bem mais velho e com um filho nascido, volta ao local do acidente e tem contato com as pessoas que o ajudaram naquele dia fatídico. Achei essa parte bem interessante. Por outro lado, achei muito mal escolhido o título, não tem nada a ver com o livro. Nota 6,5

terça-feira, março 27, 2018

O Melhor do Conto Brasileiro 1

Título: O Melhor do Conto Brasileiro 1
Autor: Aníbal Machado, Josué Montello, Lygia Fagundes Telles e Orígenes Lessa
Editora: José Olympio
Páginas: 92

Como dá para inferir pelo título, esse é um livro de contos, com dois de cada autor. São eles: de Aníbal Machado, "Tati, a Garota" e "A Morte da Porta-Estandarte"; de Josué Montello, "Vidas Apagadas" e "Numa Véspera de Natal"; de Lygia Fagundes Telles, "As Formigas" e "A Mão no Ombro"; de Orígenes Lessa, "12 Viúvas, Enfermos e Encarcerados" e "O Esperança Futebol Clube".
São contos curtos e simples, na maioria gostosos de ler, mas sem muita profundidade. Lí esse livro, principalmente pelo "A Morte da Porta-Estandarte", que inclusive foi tema da escola de samba Imperatriz Leopoldinense em 1975 e que trata do assunto de ciúme. Um outro conto que destaco foi "Numa Véspera de Natal", que fala sobre o reencontro de uma mulher com seu ex-marido depois de muitos anos.
O conto "O Esperança Futebol Clube" é bom também, mas é mais um conto sobre futebol de várzea, que aparece com frequência nas coletâneas nacionais desse tipo de literatura.
É mais um livro passatempo. Excelente para se ler em uma fila de banco ou durante uma viagem. Nota 5.0